Ela é linda e eu a amo, mas isso não é o suficiente, não para dar certo.
Quando um relacionamento dá certo, ele dura por meses, anos, quem sabe namoro, noivado, casamento, filhos, enfim, quando é pra durar, quando é pra dar certo, dá. Nada impede o casal de se apaixonar dia pós dia e ficarem juntos pela eternidade, o problema é que isso não acontece hoje em dia. Claro que não, você me diria, mas pense bem, amigo. De acordo com fatos, garotas que saem, pensam em pegação de balada, um jogo de pega-pega e nada mais. Nada na cabeça, nada no coração. Garotas que nem dão chance, sabe. Dizem que não confiam mais em homens com 10 anos de idade. E crescem assim, regadas por mimos e ouro em seus dedos. Morrem vítimas da ilusão. Surdas cegas e mudas. Garotos eu não preciso nem comentar. Não vou comentar, me recuso – mil perdões à quem achou que falaria, mas me recuso – mas e nós, amantes? Somos uma nova raça, uma nova escolha sexual – não que sejamos novos no mundo, que a partir de mim e de outras pessoas que sofrem por amor, choram aos montes e perdem o rumo à espera de sonhos possíveis, como um jantar à luz de velas, acordar com um sorriso do amante, beijar o amante enquanto ele diz “eu te amo”. Coisas simples, idiotas, mas que fazem toda diferença em um coração romântico. Um coração que não escolher ser assim, e é por isso que sofre tanto, por medo de ser algo que não é e continuar na mesma situação o tempo todo. Sofrendo.
Vamos usar situações reais. Mostrei, há algum tempo atrás, fotos de minha amante, Jade. A garota que roubou meu coração durante as férias escolares e que agora está tão próxima e tão distante de meu amor, de concretizar sonhos meus. Mostrei as fotos e a reação foi instantânea: “Ela tem uma cara de criança , né? Qual a altura dela?” A partir dali, comecei a cuidar melhor dessa minha paixonite, a demonstrar menos e a sentir menos. Equilibrar as coisas na balança, sabe? Se eu a acho linda, maravilhosa e perfeita pra mim, outros acharão estranho, afinal, ela tem mesmo uma estatura muito baixa – tanto quanto eu, mas essas coisas a gente não deve falar, pois sou o narrador, certo? – Agora se eu ligasse realmente pra isso, eu não estaria apaixonado, certo? Ok, vamos encarar a realidade, ela tem mesmo uma aparência infantil. Não que seja um problema pra mim, mas e se nosso relacionamento durar anos? Terei de transar com alguém com rosto infantil? Não que eu a ame e que meu amor é fraco, enfim deu pra entender. Vamos aos poucos, desde o presente. Daqui uma semana terá lá o encontro com o Nícolas e o pessoal (pelo visto terei de faltar em dia de prova e ainda por cima no inglês, cujo qual já estourei o limite de faltas no meu primeiro semestre de estudos. Pois é amigos. Pois é.) e no terceiro e ultimo dia (que na minha modesta opinião, será o melhor dia, sem sombra de dúvida) verei ela. Ela, amigos. Ela. Linda, arrumada e cheirosa sabe pra quem? Pra todos, você responde, mas por um momento, um minuto que seja ela será inteiramente minha. Não sei como me portar, eu realmente não consigo imaginar esta cena, mas enfim amigos, ficaremos juntos, lábios com lábios. Lindo, lindo. Ah sim, é o que eu planejo não é mesmo? Não que isso tudo já esteja esquematizado ou que ela tenha aceitado, etc., mas será minha única chance em meses, não posso desperdiçar, entende? Não desperdiçarei esforços e lábia com ela. Não esperei tanto para não conseguir nada no final, sabe? Aliás, quem fora ela irá preencher certinho o espaço da minha cama quando estou dormindo virado pra parede?
Você para pra ler e se julga um babaca por fazer isso. Olha o tamanho deste paragrafo, e você nem falou tudo que sente por ela, tudo que planeja, tudo que imagina. Você é mesmo uma criança. Pobre criança.
I love you, Little Kitty. And I need you so, so, so much closer.
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