As pessoas olham e desolham nossos beijos e abraços, sentem a alegria que nos cerca e rangem os dentes ao passarmos em tom sutil e pisando na sombra deles com um toque de alegria e amor. Coitadas.
sábado, 2 de junho de 2012
O atencioso Pt. 1
Os dias passam,
as flores, impiedosas e frias, nascem e morrem com o passar dos anos. Estou
aqui há 22 gerações destas coloridas, porém, frias vidas.
Um mesmo
pedacinho de terra, um mesmo encosto, o mesmo muro me prende, ele me conta algo
que há tempos não ouço de alguém quente.
Os
quentes, que saudade.
Não falo
há mais de 70 chuvas. Não ouço, não falo, não escrevo.
No
começo, escrevi no muro, por inteiro, e ali, vivi. Horas destinadas à escrita,
horas lembrando, horas chorando, horas me arrependendo, dias aceitando.
Após
aceitar, um jato forte veio sob mim. Frio. Me tentava. Erguia-se ainda mais. E
ali, meu passado foi apagado. Mais concreto, blocos e tijolos. Tinta e
ignorância. Meu passado fora apagado ali. Encontro, hoje, alguém para
conversar, quente, mas imóvel. Minha folha de papel fora apagada aquele dia,
está maior, mas sem meus pais, amigos e alegrias.
Morri.
O muro me
absorveu, levou meu passado, presente e futuro. Fico ouvindo suas histórias e o
admirando ao mostrar-me um mundo inteiramente novo através de toda tinta gasta
e concreto mal rebocado. Meu mundo novo. Parado até o anoitecer, imóvel e
atento, olho para o muro que me acolheu, frio.
Se você
que já me viu e pensou consigo em como me pareço na verdade, saiba desde já que
estou frio, mas me aqueço como posso. Um boi, ovelha, ou um milhão de algodões
aquecem-me, assim, passo os dias.
No chão
coberto de frieza.
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